A maior parte das hérnias de hiato é pequena, dá refluxo e se controla com medicação e ajustes de rotina. Mas existe um grupo diferente: as hérnias grandes, em que uma parte importante do estômago sobe para dentro do tórax. Nesses casos o problema deixa de ser só azia e passa a envolver sintomas respiratórios, dor no peito e risco real de complicação. O Dr. Victor Dib é primeiro autor de um trabalho publicado em 2025 sobre o manejo justamente dessas hérnias gigantes e recidivadas.
O que é a hérnia de hiato
O hiato é a passagem no diafragma por onde o esôfago desce até o abdome. Quando essa abertura alarga, parte do estômago escorrega para cima, para o tórax. Isso é a hérnia de hiato.
Se a hérnia é pequena, o sintoma típico é o refluxo: queimação, azia, gosto amargo na boca, tosse noturna. Quando ela é grande, o estômago ocupa espaço dentro do tórax e o quadro muda de figura.
Sinais de que a hérnia pode ser grande
- Dificuldade para engolir ou sensação de comida parada.
- Regurgitação frequente, com retorno de alimento à boca.
- Dor no peito, às vezes confundida com problema cardíaco.
- Falta de ar, principalmente depois das refeições.
- Saciedade muito precoce, comendo pouco e passando mal.
- Anemia sem causa aparente.
Esses sintomas pedem avaliação. Dor torácica intensa, vômito persistente sem conseguir eliminar nada, falta de ar importante ou queda de pressão são sinais de emergência e exigem atendimento imediato: o estômago pode ficar preso e ter a circulação comprometida.
Por que o assunto é sério
Na literatura, hérnias de hiato gigantes, sejam as primeiras ou as que voltaram após uma cirurgia anterior, carregam risco relevante de complicações graves, entre elas o encarceramento (o estômago fica preso), a isquemia (falta de circulação) e a necrose. Diagnóstico precoce e conduta adequada são o que evita chegar nesse ponto.
O problema da recidiva
Aqui está o desafio técnico que a pesquisa tenta resolver. Operar uma hérnia grande é uma coisa; garantir que ela não volte é outra. Como a abertura do diafragma está alargada e há tração natural do estômago para cima, a recidiva é uma preocupação constante, sobretudo em pacientes com obesidade.
Por isso os cirurgiões desenvolveram formas de “ancorar” o estômago no abdome depois do reparo. O trabalho do Dr. Dib, publicado no The American Journal of Case Reports em 2025, descreve uma dessas manobras: a gastrojejunopexia, em que um segmento de intestino próximo a um ponto anatômico fixo é ancorado à curvatura maior do estômago, criando uma tração para baixo que ajuda a manter o órgão no lugar.
O caso relatado era complexo: um homem de 65 anos, com obesidade e uma cirurgia de refluxo prévia, que apresentou hérnia gigante recidivada com o estômago encarcerado no tórax, com dificuldade de engolir, dor torácica, falta de ar e instabilidade. Ele foi estabilizado com descompressão endoscópica antes da cirurgia, operado por videolaparoscopia e, no acompanhamento de oito meses, estava sem sintomas e sem sinal de recidiva nos exames.
O grupo também publicou, em 2025, uma técnica de reparo por via robótica com menor tensão sobre os tecidos, na mesma linha de buscar reduzir recidiva.
Um caso não define o seu caso
Como em toda publicação desse tipo, vale a honestidade: são relatos de caso e descrições técnicas. Os próprios autores registram que a manobra se mostrou segura e factível naquele caso, mas que estudos adicionais são necessários para confirmar eficácia e segurança no longo prazo.
Isso não é detalhe burocrático. Significa que nenhum desfecho descrito ali pode ser lido como o que vai acontecer com você. O que esses trabalhos mostram é outra coisa: que o tema é estudado a sério, que a técnica continua evoluindo e que casos difíceis pedem avaliação de quem lida com eles com frequência.
O caminho prático
Se você tem refluxo persistente, engasgo, dor no peito ao comer ou falta de ar depois das refeições, o primeiro passo é o diagnóstico. A endoscopia digestiva mostra a anatomia, e outros exames complementam quando necessário.
Nem toda hérnia precisa de cirurgia. Muitas são acompanhadas clinicamente por anos. A decisão sobre operar, e sobre qual técnica usar, é do cirurgião, na consulta, depois de avaliar o tamanho da hérnia, os sintomas, os exames e o conjunto do caso.
Fontes
- Laparoscopic Gastrojejunopexy in Giant and Recurrent Hiatal Hernia Management: A Case Report (The American Journal of Case Reports, 2025)
- A novel technique of robotic low-tension hiatal hernia repair using mediastinoplication (MethodsX, 2025)
Refluxo que não passa com remédio, engasgo ou falta de ar ao comer merecem investigação. Agendar pelo WhatsApp
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. A indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individual.